Você acorda tarde.
Você acorda cansado.
Você acorda com tédio.
Você acorda, olha para o teto, o mesmo teto de sempre, mas isso não te interessa, o que importa se é o mesmo teto de sempre? Dizem que o modo como vemos as coisas, é o modo como vemos a nossa vida. Nesse caso é, você olha para o teto, e nele reflete-se a vida, você julga o teto, você julga a sua vida.
A sua mesma vida de sempre.
Então finalmente você acorda, é preciso acordar várias vezes para perceber a realidade.
É preciso acordar.
Você sente a sensação de enxergar por fora? A visão é a mesma, mas a sensação é diferente, parece que se enxerga por uma tela, você é o espectador de sua própria vida, um observador assíduo dela, mas, um participante distante, sua vida é regida por acontecimentos externos, você não é o juiz e sim a bola de futebol.
Pois bem, esta é a sua vida, abra os olhos, pode parecer besteira, mas eles estão fechados. Em algum ponto de sua vida, em algum ponto de sua infância, a vida transformou-se em um sonho, um sonho lúcido, mas ainda um sonho, algo diferente da realidade. Em que todos os acontecimentos foram desencadeados como uma pedra lançada por um desfiladeiro, totalmente sem controle. Você conseguiu controlar? Você conseguiu parar? Será que essa pedra parou de rolar? Consegue responder?
Esta é a sua vida.
Raios de luz tentam encontrar o seu rosto, a janela do quarto impede, uma janela de vidro azul-marinho encoberta de fita isolante. A fita parece ser antiga, nela encontram-se sinais de luta, alguém tentou arrancá-la, puxou-a com muita força, mas não com força suficiente para arrancá-la, ela continua lá com a sua função, impedir a luz de encontrar o seu rosto em todas as manhãs. A luz impedia que você acordasse lentamente, ela ofuscava seus olhos o obrigando a ação, não é isso que você quer, você apenas quer pensar, acordar lentamente para um sonho, um sonho lúcido, embora pareça besteira mas você deseja sonhar, você deseja acordar, você vive em um conflito do qual não percebe, sonhar ou acordar, viver assim ou viver assim.
Abra os olhos...
