Tinha postado o capitulo 3, mas resolvir de última hora refazer o capitulo.
Por favor, comente logo abaixo, caso ainda ñ tenha lido os textos anteriores.
Abraços e volte sempre.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Capitulo 2 – Fora do quarto
Ninguém em casa, pães, suco e frutas na mesa. É cada vez mais difícil encontrar meus pais quando acordo, meus dias estão tornando-se curtos e as noites cada vez mais longas. Mesmo que eles estivessem, os bons dias soam quase que mudos, são palavras ditas ao vento, mas que no fundo, bem no fundo do coração de quem as disse, tenta dizer: Eu amo vocês pais. Soam mudas, sem significância.
Não sei o porquê, mas fora o meu quarto todos os cômodos da minha casa onde sempre morei tornam-se estranhos, acho que separei o meu quarto de todo o resto, lá é meu, o resto é dos meus pais. Em certa idade tentamos ser independentes deles de alguma forma, concreta ou abstrata.
Eu amo os meus pais, só que o sentimento some ás vezes, logo sinto certa repulsa, raiva de não sei o quê, falo o que não devo e escuto o que não quero ouvir, depois o amor volta, mas cada vez mais os sinto distantes. É um ciclo vicioso do qual não me acostumo e já faço parte, sofro muito, mas eles também sofrem, e eles não merecem, ou merecem? Cada hora tenho uma opinião diferente.
Entro no chuveiro, com os olhos fechados sinto a ansiedade desaparecer em meio a corrente de água morna. Pela primeira vez no dia vejo um sorriso, o meu refletido pelo espelho. Sinto-me tão bem, no momento nada pode me deter, é tão gostoso ver um sorriso, mesmo que seja apenas o meu, sinto aquela empolgação, fazer tudo o que puder. Aos poucos o sorriso se esvai, pensamentos e pensamentos, deslizo até estar sentado ao chão, a água escorre por todo o meu corpo. Pessoas, sinto falta das pessoas o tanto quanto as quero distantes, não é porque não gosto delas, só tenho medo de perder-las, para não perder algo é só não o ter.
É preciso arriscar, é preciso viver, eu sei disso, mas é tão difícil seguir em frente, por quê?
E aquela pessoa? Aquela de quem gosto tanto, como ela está?
Ahhh! Ansiedade que me sufoca, arranha a minha alma. É preciso esquecer, tento fugir de tudo isso, sou fraco? Não sei, só sei que sou assim.
Pensamentos e pensamentos...
Faz quanto tempo que estou aqui? Nessa pequena chuva, em um pequeno cômodo?
Já não quero fazer mais nada.
Pães, suco e frutas. Café da manhã em horário de almoço. Para comer não é preciso pensar, logo penso muito enquanto como. Qual era o sabor do suco? Não sei, nem percebi ao tomar. Minha vida está se tornando pensamentos. Estou cada vez mais sensível em não sentir, esqueço o prazer do toque, até quando isso irá continuar?
Queria viver apenas em meu quarto, queria que o mundo fosse aquele local, que apenas existisse aquilo, talvez tudo fosse bem mais fácil... Aprender a viver fora do meu quarto, aprender a viver com o mundo, aprender a viver no mundo das emoções.
Na geladeira encontra-se uma frase:
“Não podemos escolher um tempo para nós, e sim podemos escolher o que fazer com o tempo que nos foi dado”.
Falar é fácil, já me disseram que é fácil agir, mas as pessoas não são iguais, personalidades distintas, cada qual tem o seu mundo, e quando estes mundos se encontram não é sempre que resulta em felicidade.
Falar é fácil.
Pego a mochila. Último ano no colegial. Vestibular. Um futuro a construir. Pessoas e pessoas.
Não sei o porquê, mas fora o meu quarto todos os cômodos da minha casa onde sempre morei tornam-se estranhos, acho que separei o meu quarto de todo o resto, lá é meu, o resto é dos meus pais. Em certa idade tentamos ser independentes deles de alguma forma, concreta ou abstrata.
Eu amo os meus pais, só que o sentimento some ás vezes, logo sinto certa repulsa, raiva de não sei o quê, falo o que não devo e escuto o que não quero ouvir, depois o amor volta, mas cada vez mais os sinto distantes. É um ciclo vicioso do qual não me acostumo e já faço parte, sofro muito, mas eles também sofrem, e eles não merecem, ou merecem? Cada hora tenho uma opinião diferente.
Entro no chuveiro, com os olhos fechados sinto a ansiedade desaparecer em meio a corrente de água morna. Pela primeira vez no dia vejo um sorriso, o meu refletido pelo espelho. Sinto-me tão bem, no momento nada pode me deter, é tão gostoso ver um sorriso, mesmo que seja apenas o meu, sinto aquela empolgação, fazer tudo o que puder. Aos poucos o sorriso se esvai, pensamentos e pensamentos, deslizo até estar sentado ao chão, a água escorre por todo o meu corpo. Pessoas, sinto falta das pessoas o tanto quanto as quero distantes, não é porque não gosto delas, só tenho medo de perder-las, para não perder algo é só não o ter.
É preciso arriscar, é preciso viver, eu sei disso, mas é tão difícil seguir em frente, por quê?
E aquela pessoa? Aquela de quem gosto tanto, como ela está?
Ahhh! Ansiedade que me sufoca, arranha a minha alma. É preciso esquecer, tento fugir de tudo isso, sou fraco? Não sei, só sei que sou assim.
Pensamentos e pensamentos...
Faz quanto tempo que estou aqui? Nessa pequena chuva, em um pequeno cômodo?
Já não quero fazer mais nada.
Pães, suco e frutas. Café da manhã em horário de almoço. Para comer não é preciso pensar, logo penso muito enquanto como. Qual era o sabor do suco? Não sei, nem percebi ao tomar. Minha vida está se tornando pensamentos. Estou cada vez mais sensível em não sentir, esqueço o prazer do toque, até quando isso irá continuar?
Queria viver apenas em meu quarto, queria que o mundo fosse aquele local, que apenas existisse aquilo, talvez tudo fosse bem mais fácil... Aprender a viver fora do meu quarto, aprender a viver com o mundo, aprender a viver no mundo das emoções.
Na geladeira encontra-se uma frase:
“Não podemos escolher um tempo para nós, e sim podemos escolher o que fazer com o tempo que nos foi dado”.
Falar é fácil, já me disseram que é fácil agir, mas as pessoas não são iguais, personalidades distintas, cada qual tem o seu mundo, e quando estes mundos se encontram não é sempre que resulta em felicidade.
Falar é fácil.
Pego a mochila. Último ano no colegial. Vestibular. Um futuro a construir. Pessoas e pessoas.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Capítulo Um - Um quarto no vácuo de um tempo
Cheiro de terra molhada, tão excitante e tão remoto, é cada vez mais raro sentir esse belo odor, nossos narizes estão mais acostumados com as descargas dos fuscas e ferraris.
Da janela do quarto você observa a chuva, olhando pelos pequenos espaços de vidro não cobertos pela fita. Você tenta enxergar cada gota de chuva, é fácil perceber que o tempo existe assim, observando o ciclo de algo. 10,20 segundos? Será esse o tempo em que uma gota de chuva atravessa os céus? É um tempo insignificante para você, mas para aquela gota é todo o tempo que ela precisa. E você? Precisas de quanto tempo? 10, 20 anos? Cidades desaparecem em bem menos tempo.
É tão excitante sentir o tempo passar quando se estar acompanhado pelos sons dos trovões. A chuva é um ótimo tranquilizante, é a morfina de Mãe Terra. Você tem um motivo para não sair de casa, até um motivo para não sair do quarto, a chuva é um motivo para tudo.
Jogado na cama bagunçada e suada, encontra-se um daqueles livros: "Seja feliz você também", com um rapaz sorridente na capa. É, esse livros são altamente eficientes, cumprem com eficácia o seu papel de enriquecer seus escritores. É fácil explicar como se faz para ser feliz, todos sabem como é, só compram os livros para provarem que sabem, mas a felicidade não é um processo, e nem tudo é como é. Se o amor é quimica, porquê a felicidade também não seria? Para as coisas mais importantes são feitas as perguntas mais idiotas, mesmo assim não encontramos as respostas.
O guarda-roupa está aberto, são tantas roupas de diversas cores e estações, roupa azul; branca; negra e lilás. Qual é a cor do seu coração? Roupas fazem parte da nossa máscara, por isso você compra roupas demais. Aquelas roupas estão paradas há um bom tempo, você não deseja mais sair, não deseja mudar, não obteve resultados.
São tantos bagulhos no quarto, tantas futilidades, coisas realmente inúteis, estão ali por estar, você só queria gastar dinheiro, tentar preencher o quarto buscando preencher a vida. Não importa se é porcaria, preechendo o vazio você compra, mas apenas naquele momento você sente-se melhor, depois o vazio volta e os bagulhos são esquecid0s no quarto.
Você observa a chuva, tudo tem um fim e a chuva passa, aos poucos os sons de portas sendo abertas chegam até você, passos pelas ruas são constantes, aos poucos o cheiro de terra molhada é esmagada pelas descargas de fuscas e ferraris. A morfina do mundo cessou-se, tudo volta para a ação.
Então é preciso viver, olhando para a porta do quarto seu corpo fica menos pesado, sua barriga ronca, a ansiedade está arranhando seu estomago. Você chega até a porta e segura o trinco. Atrás daquela porta encontra-se a sua outra vida, onde você tem pais, amigos, deveres e direitos, e principalmente, onde você tem nome.
Da janela do quarto você observa a chuva, olhando pelos pequenos espaços de vidro não cobertos pela fita. Você tenta enxergar cada gota de chuva, é fácil perceber que o tempo existe assim, observando o ciclo de algo. 10,20 segundos? Será esse o tempo em que uma gota de chuva atravessa os céus? É um tempo insignificante para você, mas para aquela gota é todo o tempo que ela precisa. E você? Precisas de quanto tempo? 10, 20 anos? Cidades desaparecem em bem menos tempo.
É tão excitante sentir o tempo passar quando se estar acompanhado pelos sons dos trovões. A chuva é um ótimo tranquilizante, é a morfina de Mãe Terra. Você tem um motivo para não sair de casa, até um motivo para não sair do quarto, a chuva é um motivo para tudo.
Jogado na cama bagunçada e suada, encontra-se um daqueles livros: "Seja feliz você também", com um rapaz sorridente na capa. É, esse livros são altamente eficientes, cumprem com eficácia o seu papel de enriquecer seus escritores. É fácil explicar como se faz para ser feliz, todos sabem como é, só compram os livros para provarem que sabem, mas a felicidade não é um processo, e nem tudo é como é. Se o amor é quimica, porquê a felicidade também não seria? Para as coisas mais importantes são feitas as perguntas mais idiotas, mesmo assim não encontramos as respostas.
O guarda-roupa está aberto, são tantas roupas de diversas cores e estações, roupa azul; branca; negra e lilás. Qual é a cor do seu coração? Roupas fazem parte da nossa máscara, por isso você compra roupas demais. Aquelas roupas estão paradas há um bom tempo, você não deseja mais sair, não deseja mudar, não obteve resultados.
São tantos bagulhos no quarto, tantas futilidades, coisas realmente inúteis, estão ali por estar, você só queria gastar dinheiro, tentar preencher o quarto buscando preencher a vida. Não importa se é porcaria, preechendo o vazio você compra, mas apenas naquele momento você sente-se melhor, depois o vazio volta e os bagulhos são esquecid0s no quarto.
Você observa a chuva, tudo tem um fim e a chuva passa, aos poucos os sons de portas sendo abertas chegam até você, passos pelas ruas são constantes, aos poucos o cheiro de terra molhada é esmagada pelas descargas de fuscas e ferraris. A morfina do mundo cessou-se, tudo volta para a ação.
Então é preciso viver, olhando para a porta do quarto seu corpo fica menos pesado, sua barriga ronca, a ansiedade está arranhando seu estomago. Você chega até a porta e segura o trinco. Atrás daquela porta encontra-se a sua outra vida, onde você tem pais, amigos, deveres e direitos, e principalmente, onde você tem nome.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Capítulo zero - Teto de vidro
Esta é a sua vida.
Você acorda tarde.
Você acorda cansado.
Você acorda com tédio.
Você acorda, olha para o teto, o mesmo teto de sempre, mas isso não te interessa, o que importa se é o mesmo teto de sempre? Dizem que o modo como vemos as coisas, é o modo como vemos a nossa vida. Nesse caso é, você olha para o teto, e nele reflete-se a vida, você julga o teto, você julga a sua vida.
A sua mesma vida de sempre.
Então finalmente você acorda, é preciso acordar várias vezes para perceber a realidade.
É preciso acordar.
Você sente a sensação de enxergar por fora? A visão é a mesma, mas a sensação é diferente, parece que se enxerga por uma tela, você é o espectador de sua própria vida, um observador assíduo dela, mas, um participante distante, sua vida é regida por acontecimentos externos, você não é o juiz e sim a bola de futebol.
Pois bem, esta é a sua vida, abra os olhos, pode parecer besteira, mas eles estão fechados. Em algum ponto de sua vida, em algum ponto de sua infância, a vida transformou-se em um sonho, um sonho lúcido, mas ainda um sonho, algo diferente da realidade. Em que todos os acontecimentos foram desencadeados como uma pedra lançada por um desfiladeiro, totalmente sem controle. Você conseguiu controlar? Você conseguiu parar? Será que essa pedra parou de rolar? Consegue responder?
Esta é a sua vida.
Raios de luz tentam encontrar o seu rosto, a janela do quarto impede, uma janela de vidro azul-marinho encoberta de fita isolante. A fita parece ser antiga, nela encontram-se sinais de luta, alguém tentou arrancá-la, puxou-a com muita força, mas não com força suficiente para arrancá-la, ela continua lá com a sua função, impedir a luz de encontrar o seu rosto em todas as manhãs. A luz impedia que você acordasse lentamente, ela ofuscava seus olhos o obrigando a ação, não é isso que você quer, você apenas quer pensar, acordar lentamente para um sonho, um sonho lúcido, embora pareça besteira mas você deseja sonhar, você deseja acordar, você vive em um conflito do qual não percebe, sonhar ou acordar, viver assim ou viver assim.
Abra os olhos...
Você acorda tarde.
Você acorda cansado.
Você acorda com tédio.
Você acorda, olha para o teto, o mesmo teto de sempre, mas isso não te interessa, o que importa se é o mesmo teto de sempre? Dizem que o modo como vemos as coisas, é o modo como vemos a nossa vida. Nesse caso é, você olha para o teto, e nele reflete-se a vida, você julga o teto, você julga a sua vida.
A sua mesma vida de sempre.
Então finalmente você acorda, é preciso acordar várias vezes para perceber a realidade.
É preciso acordar.
Você sente a sensação de enxergar por fora? A visão é a mesma, mas a sensação é diferente, parece que se enxerga por uma tela, você é o espectador de sua própria vida, um observador assíduo dela, mas, um participante distante, sua vida é regida por acontecimentos externos, você não é o juiz e sim a bola de futebol.
Pois bem, esta é a sua vida, abra os olhos, pode parecer besteira, mas eles estão fechados. Em algum ponto de sua vida, em algum ponto de sua infância, a vida transformou-se em um sonho, um sonho lúcido, mas ainda um sonho, algo diferente da realidade. Em que todos os acontecimentos foram desencadeados como uma pedra lançada por um desfiladeiro, totalmente sem controle. Você conseguiu controlar? Você conseguiu parar? Será que essa pedra parou de rolar? Consegue responder?
Esta é a sua vida.
Raios de luz tentam encontrar o seu rosto, a janela do quarto impede, uma janela de vidro azul-marinho encoberta de fita isolante. A fita parece ser antiga, nela encontram-se sinais de luta, alguém tentou arrancá-la, puxou-a com muita força, mas não com força suficiente para arrancá-la, ela continua lá com a sua função, impedir a luz de encontrar o seu rosto em todas as manhãs. A luz impedia que você acordasse lentamente, ela ofuscava seus olhos o obrigando a ação, não é isso que você quer, você apenas quer pensar, acordar lentamente para um sonho, um sonho lúcido, embora pareça besteira mas você deseja sonhar, você deseja acordar, você vive em um conflito do qual não percebe, sonhar ou acordar, viver assim ou viver assim.
Abra os olhos...
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